Pequenas histórias da L10N

Pequenas histórias da L10N

Dinis

Numa tentativa de tranquilizar a Fernanda, o Dinis disse num tom calmo: “Oh, minha querida”. Acontece que em vez de tranquilizar só deixou crescer uma certa raiva pois para a Fernanda “Querida” é o epítome da condescendência e paternalismo.

Ana Rijo

Foi lá para 2017, a empresa teve um brunch no Ritz. A Ana estava muito entusiasmada com este brunch, mas estava grávida na altura, o que significa que tinha uma série de restrições alimentares por não ser imune à toxoplasmose. Não podia tocar em sushi, carne malpassada, ovo e vegetais crus e, naturalmente, não podia beber álcool. Acontece que eram servidas umas mimosas com muito bom aspeto e que o resto da equipa bebeu. E repetiu… E voltou a repetir… E a Ana ficou a lamentar este brunch não ter vindo noutra altura! Ainda hoje está à espera de um novo brunch no Ritz para me vingar nas mimosas!

Fernanda

Numa fragrante manhã de junho em 2006, era Fernanda uma jovem cheia de esperanças para a vida, viço na guelra e anseio por traduzir o mundo a tempo inteiro, desembocou na Avenida Ressano Garcia decidida a mudar de vida.

Depois de uns tempos a trabalhar numa livraria enquanto fazia traduções esporadicamente nos tempos livres, estava finalmente a responder ao chamamento e tinha agora uma entrevista para tradutora numa empresa de Traduções. A par do natural nervosismo que acompanha uma entrevista de emprego, a distância que separa o Metro do escritório constituía o espaço e o momento para várias considerações, nomeadamente, como seria ela capaz de cativar o potencial empregador, seria este o trabalho que intimamente cobiçava, faria este trajeto parte da minha rotina matinal diária e como é que o encararia. Todas estas inquietações permaneceram incógnitas fervilhantes conforme percorreu os 100 metros que separam o Metro do escritório. Exceto uma: como é que encararia este percurso todos os dias. A resposta: com extrema cautela. A razão: porque, apesar de não ser invulgar nas ruas de Lisboa à época, em pouquíssimas ocasiões tinha Fernanda encontrado um tão elevado número e concentração de cocós caninos. À medida que vinha rua afora e se ia desviando das “minas” ficou claro que este bairro tinha uma simpática prevalência de amiguinhos peludos, mas pouquíssimo civismo. Felizmente, com o tempo, o civismo tem crescido.

Cátia

Um dia de chuva torrencial, a caminho do escritório, a Cátia apanhou molha descomunal. Para tentar secar-se e não ficar doente, pôs uma toalha no micro-ondas. Passados alguns aquecimentos da toalha, ela pegou fogo e escritório ficou a cheirar a queimado o resto do dia.

Raquel

Quando começou a trabalhar como tradutora, a Raquel descobriu que as traduções eram feitas com recurso a programas de software concebidos especificamente para o efeito. Esses programas são conhecidos por ferramentas de tradução assistida por computador, em inglês, computer assisted translation tools, ou seja, CAT tools.

No início, foi um pouco confuso, mas com o passar do tempo começou a dominar cada vez mais as ferramentas e aprendeu a utilizar um pouco mais do que apenas as funções básicas. Em parte, motivada pela curiosidade em descobrir o que esses programas podiam ou não fazer. Em parte também como uma forma de poupar tempo e melhorar a qualidade do trabalho.

Trabalhar numa empresa é trabalhar em equipa, assim, quando alguém tinha uma dúvida acerca de um dos programas, a Raquel podia partilhar as suas descobertas. Graças a isso passou a ser conhecida como a especialista em CAT tools e ganhou o nome de CAT woman.

Com o tempo aprendeu também a utilizar as expressões regulares e macros do Windows, as quais são muitas vezes úteis no dia-a-dia. Sempre que sai uma nova versão de uma CAT tool sinte a mesma curiosidade em explorar as novas funcionalidades e as novas possibilidades que a ferramenta oferece.

Joana

Num dia calmo e aparentemente normal, eram nove da manhã quando se ouviu a Joana apregoar: “Naked man! Naked man!”. Acontece que efetivamente, no prédio em frente, estava um jovem nu à janela.

Leonor

Numa pausa entre trabalhos, a Leonor decidiu que era interessante movimentar os braços de uma forma estranha. Tanto foi o movimento que toda uma xícara cheia de café caiu para cima do teclado. Uma semana depois o cheiro a café estragado era tão intenso que a Leonor teve que trocar de teclado.

Tânia

Numa bela tarde de Verão, daquelas em que está um calor que nem se aguenta, estava a Tânia ter a sua entrevista para a L10N.

Surgiu a primeira pergunta: “Então diga-me, quem é a Tânia?” ao que ela responde: “sou uma figueira.” O patrão ficou com um ar confuso, até que ela se explicou: quando era pequena o pai disse-lhe que as figueiras são árvores muito resistentes às diferenças de temperatura e que aguentam cada estação até darem os frutos.

Ana Rita

Vencida pelo cansaço, Ana Rita chega ao trabalho de manhãzinha e tira um café sem cápsula e sem xícara.